quinta-feira, 4 de agosto de 2011

E depois do adeus?
  Nos últimos dias provocou sururu na pacata Paróquia da Nossa Sra. da Ajuda (Foz do Douro - Porto) a transferência do respectivo pároco para uma outra comunidade, também na Diocese do Porto (ver: http://www.paroquiadaajuda.org/). 

  Esgrimiram-se múltiplos argumentos para tentar compreender a saída do Padre Baptista.  A discussão estendeu-se às redes sociais. Sejam quais forem as linhas de reflexão, o que aqui está em jogo prende-se com o fim de uma relação, neste caso entre “um pastor e o seu rebanho”, num compromisso que se prolongou por 40 anos. Como em todas as relações que envolvam pessoas, está a custar imenso(?) a esta comunidade humana deixar partir um dos seus membros, permitir que ele possa reconstituir a vida noutras andanças, com outras pessoas, com novos(?) sonhos, novos projectos. Em suma: permitir que possa estar longe de nós e do que criámos com ele... 

   O que sobra depois do adeus?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sexy Over 60

O tempo passa, não conseguimos escapar  aos seus efeitos, o pensamento dominante é que evita não olhar para os seus estragos. Mas há exemplos de plenitude inconfundível que vale a pena divulgar:

Sexy Over 60

terça-feira, 2 de agosto de 2011


Com o corpo todo e o coração encantado ou como praticar o bem (sem ser moralista!) em período de férias

   Costuma dizer-se que quem vê caras não vê corações. Mas é difícil pôr um corpo a concordar com as palavras. São linguagens diferentes? Pelo menos, o Verão dá oportunidade a que um deles (o corpo!) surja com toda a sua plenitude, seja exposto, seja mostrado, seja assumido. Se o corpo ganha visibilidade, nem sempre, se compatibiliza com a palavra, com o que se diz à pessoa com quem vamos partilhar a quase totalidade do tempo: a pessoa com quem casamos ou com quem namoramos. Com essa pessoa partilhamos as férias. Com essa pessoa gerimos o tempo que estamos juntos. Fazemos escolhas e tomamos decisões sobre o que fazer durante 15 dias ou um mês completo. As férias aproximam aquilo que o resto do ano separa, o tempo que temos em comum. As férias dão-nos mais tempo. O que até pode ser desconcertante, porque é preciso organizar actividades em conjunto com a “cara metade”, para além daquelas a que estamos habituados e que costumam confinar-se ao espaço da casa e acontecem num período de tempo relativamente curto: o fim do dia (após o trabalho) ou o fim de semana. Esta convivência inusitada(?) pode despertar algumas zonas de desconforto e, nalguns casos, acicatar conflitos entre os dois membros do casal. Zangas fúteis, desproporcionadas, excessivas, que surgem por motivos insignificantes como se verifica na maioria das discussões nos casais humanos. Coisas de nada.
   Há uns dias atrás, Pilar, a esposa de José Saramago, numa entrevista à TVI24 assumiu que ela e o escritor costumavam ter divergências, as  discussões não estavam alheias à vida em comum. Tinham formas de ver distintas em relação a uma data de coisas. Mas, reconheceu que, apesar das diferenças nunca se deitavam zangados um com o outro. As discordâncias não os afastavam. Com uma sabedoria que lhe é própria e vem de quem está em paz com a vida, esta mulher desvendou que o segredo de um casamento feliz está na harmonia entre os dois intervenientes. Por isso, praticar o bem durante as férias ou em qualquer período da vida em comum passa em muito por um esforço espontâneo de combate ao egoísmo, por saber colocar-se na pele do outro, da pessoa amada.  Saber estar a atento às suas necessidades. A expressão “praticar o bem” está presente na matriz de algumas religiões e de certas  correntes filosóficas. Mais do que outra coisa, apela ao controlo do individualismo e dos gestos impulsivos, à sublimação das paixões desenfreadas.
   Por esta mundo fora, vale a pena um empenhamento quotidiano para que seja possível dizer que à noite ela deitou-se ao seu lado e, num instante, adormeceram os dois.
   As paixões forjam a História. A História da Humanidade e a pequena história de cada casal. Mas, para além das paixões, a inteligência emocional é outro ingrediente de todas as relações amorosas. 

 


terça-feira, 19 de julho de 2011

Voos Domésticos
          Vamos imaginar uma visita a uma casa de família. 
Mas convém sermos discretos para não perturbar quem lá está. Por isso, nada melhor do que ver à distância, com a argúcia de uma ave de rapina…
Se fossemos um águia altiva, capaz de voar para onde quiséssemos, quer no campo, quer na cidade, de certeza que, mais tarde ou mais cedo, acabaríamos por encontrar uma casa (uma esplendorosa mansão ou uma humilde habitação de 2 assoalhas) onde existiria um casal em conflito. 
Às tantas, até não seria preciso procurar durante muito tempo!
As zangas, as discussões, os conflitos, os desentendimentos acontecem em todos os casais, mesmo que a famosa “crise dos 7 anos” ainda esteja distante! Quando menos se espera, a divergência acaba por surgir. 
Trocam-se palavras. Afirmam-se opiniões. Luta-se pelo poder na relação. Os olhares incendeiam-se. As mãos aquecem. Os corpos ficam inquietos. No calor da discussão diz-se o que se quer e o que não desejamos (salta-se a tampa e pega-se no machado de guerra!).
Tudo é falado.Analisa-se a relação amorosa, com toda a severidade possível. Chamamos a atenção para aquilo que cada um fez de mal, o que se sentiu em relação ao comportamento da outra pessoa. Os sonhos desfeitos.A realidade mais ou menos cruel da vida a dois.
Chega uma altura em que a refrega fica incontrolável, é como um rastilho de pólvora. Parece uma batalha campal em que dois exércitos se enfrentam violentamente. Mesmo que não haja agressão física, os corpos não ficam indiferentes às divergências verbais e às emoções inconciliáveis. 
À medida que a discussão azeda, os dois membros do casal mimam-se de insultos: tanta “ternura” meu Deus! De dedo em riste, importa revelar os “podres” da outra pessoa, os seus insondáveis vícios, o seu lado mais maquiavélico. Enfim, uma resma de pecados…
Não se olham a meios, o que interessa é magoar o outro(a), deixá-lo(a) de rastos. Fazê-lo(a) sofrer! Contam-se as armas. Todos os argumentos são legítimos: os insultos, a chantagem, as ameaças. Neste arsenal de impetuosidade, talvez o expediente mais sórdido seja a ameaça de suicídio, sobretudo, quando os filhos estão a assistir à zanga dos pais. Independentemente do desfecho do combate conjugal, as crianças (ou adolescentes!) nunca irão esquecer ao que acabam de assistir. A cicatriz ficará para sempre. Ainda que a reseliência esteja presente lá num resto de dignidade humana de cada um dos intervenientes, aquela cena ficará gravada indelevelmente no sistema límbico dos mais novos.
Neste cenário de violência ninguém sai vencedor. Os protagonistas até podem ficar convencidos das suas pequenas vitórias pessoais. Iludem-se. Julgam que ganharam: “desta vez deixei-o de rastos”sic, “hoje é que ela ficou a ver quem eu sou”sic.
E há casais em que estas loucuras se repetem anos a fio.Como se não fosse nada, vão-se destruindo aos poucos. Até parece que o amor vai aguentando…
Ainda dizem que loucos são aqueles que frequentam as consultas de Psiquiatria…

sábado, 9 de julho de 2011

Nada me faltará - Opinião - DN - Última Crónica de Maria José Nogueira PINTO

Há textos inconfundíveis. Porque nos deixam a pensar. Porque mexem com o que há de mais profundo na condição humana. Porque elegem o Amor como um manifesto irrecusável e um sólido compromisso com a Vida. Este é um deles. Mais do que uma crónica semanal num Jornal de referência estamos perante uma prova de Amor, o que já é raro nos dias que correm! William Shakespeare costumava dizer que é possível enganar a morte através da actividade artística, tendo um filho e dedicando-nos às lides amorosas. Infelizmente, a morte nunca se deixa enganar mas, enquanto ela não nos confronta com as suas exigências, sobra muito para darmos à Vida e aos que amamos. Esta mulher personificou a força das coisas e foi um exemplo de Vida.
Nada me faltará - Opinião - DN

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os bons e os maus momentos



             

       Todas as relações humanas têm bons e maus momentos.
         A qualidade dum relacionamento depende do envolvimento dos intervenientes, dos comportamentos individuais e das suas expectativas. O problema é que só tentamos encontrar respostas para os maus momentos. Vamos em busca do que falhou. Apuramos os contornos da culpa. Talvez, porque não conseguimos viver com o mal-estar, não admitimos as zonas de desconforto, imaginando que estas podem gerar sofrimento.
         Um outro erro que ingenuamente cometemos quando somos confrontados com os maus momentos tem a ver com os meios utilizados para obter uma explicação ou para dar sentido ao que nos aconteceu. Regra geral, procuramos a pessoas erradas para partilhar o que nos incomoda.
         A junção destes dois factores faz com que os maus momentos das relações humanas, quase sempre, andem de mãos dadas com o ressentimento e a frustração, duas das ervas daninhas da infelicidade.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Perguntas para pensar

        Um dos fascínios da prática clínica tem a ver com o seu lado mais imprevisível e inesperado. Sobretudo, quando somos confrontados pelos pacientes a partir das suas convicções e das crenças que aprenderam ao longo da vida.
         Assim, por exemplo, como explicar a racionalidade dos Focos Sensoriais, quando é necessário impor a proibição do coito? Para o paciente, a proibição ou é entendida ou provoca confusão… Qual é a resposta mais simples e compreensível?